O Americano Tranquilo – Graham Greene

O Americano Tranquilo – Graham Greene

Graham Greene 222 páginas
5.0/5.0
SINOPSE

Em ‘O americano tranqüilo’, torna-se clara a confluência, característica da obra de Greene, entre enredo detetivesco, pano de fundo marcado pela conjuntura política e personagens que, envolvidas em dramas de consciência moral, são assombrados pelo fantasma do crime, essa forma radical de exorcizar os desejos. A ação do livro é ambientada durante a Guerra da Indochina (1946-1954), na qual se enfrentaram a França (que tentava reconquistar um controle sobre o país asiático perdido durante a Segunda Guerra Mundial) e os guerrilheiros comunistas de Ho Chi Minh. O conflito é seguido de perto pelos correspondentes de guerra, dentre os quais Thomas Fowler, veterano jornalista inglês que divide o tempo ocioso entre as casas de ópio de Saigon e a amante vietnamita Phuong. Quando Fowler conhece o jovem norte-americano Alden Pyle, estabelece-se entre eles uma empatia que logo se transformará também em rivalidade sexual, precipitando os acontecimentos que dão andamento à trama – encantado, Pyle propõe casamento a Phuong, algo que Fowler só conseguirá evitar se obtiver o divórcio da mulher (que está em Londres); do contrário, será obrigado a respeitar os costumes locais e aceitar que a irmã mais velha de Phuong a entregue às promessas de segurança representadas pelo norte-americano. Esse triângulo amoroso, porém, só será esclarecido aos poucos, a partir do evento que deflagra a narrativa – quando o romance tem início, Fowler é convocado pelo chefe de polícia francês Vigot para reconhecer o cadáver de Pyle – vítima de um assassinato que poderia ter motivações políticas (por conta dos envolvimentos ideológicos de Pyle), mas também poderia ser um crime passional. A partir daí, Greene compõe diferentes planos narrativos em que contemplamos simultaneamente os horrores da guerra, o xadrez das forças em combate na Indochina (franceses, guerrilheiros do Viet Minh, exércitos de seitas religiosas como hoa-haos, caodaístas etc.) e o confronto não menos importante entre as visões de mundo de Fowler e Pyle (que viajam juntos pelas zonas conflagradas). Em ‘O americano tranqüilo’, enfim, temos formas de conceber a realidade que derivam do modo como as relações afetivas e as posturas ideológicas se modificam reciprocamente, com uma complexidade que só os grandes romancistas podem representar – mesmo que essa complexidade esteja disfarçada, como em Greene, pelo enredo envolvente de uma intriga policial.

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